Entrevista: Barry Koch – VP Senior e gerente geral do Cartoon Network e Boomerang da América Latina.

Setembro 17, 2007 at 8:39 pm | In Entrevista | 4 Comments

Um dos pontos fortes que o Cartoon Network possui para posicionar sua marcar é o peso da criação de produções originais. Barry Koch supervisiona a programação, os serviços criativos, os novos meios, o mercado, as relações públicas e as operações da emissora. Nessa entrevista exclusiva a revista em espanhol, TV Latina e reproduzida aqui, Barry fala do que acontece dentro e fora da tela do canal.


TL: Como o Cartoon Network se mantém leal a audiência?

Koch: Estamos fazendo várias coisas novas, tanto na parte de programação como na de promoções. Quando falamos de lealdade, isso é o grande atrativo do Cartoon network que mantém a audiência (telespectadores), leal canal e vice-versa, é o seu estilo humorístico e o espírito de tudo o que é divertido e engraçado do Cartoon Network. Esse é o elemento chave que nos une e os faz voltar. Com isso em mente, a programação, as promoções sempre são a base todo. Os programas originais do canal atraem uma enorme audiência. Este ano lançamos um novo desenho que é bem divertido: Andy e seu esquilo, que fala sobre a relação de um menino com seu esquilo, e funcionou muito bem. Já estamos com ele no ar a vários meses.

Também temos novos episódios e especiais de KDN: A Turma do Bairro, que é um desenho muito conhecido pelos telespectadores do canal; e novos episódios de Du, Dudu e Edu, que um dos programas mais populares do Cartoon Network. Adicionalmente, outro novo programa cujo qual estamos nos focando esse ano é Ben 10, que não é uma comédia de certo modo, é mais ação com elementos cômicos, e temos ótimas expectativas com relação a ele para os próximos anos.

TL: Ano passado o canal pôs na programação, filmes nos finais de sermana, apesar da marca CN estar mais associada a desenhos. Como isso funcionou?

Koch: É muito interessante. Nosso teatro de live action é muito popular. Filmes como Space Jam, Harry Potter, Scooby-Doo, Stuart Little (entre outros), funcionaram extremamente bem. Nossa filosofia sobre isso é que não necessariamente precisa ser um cartoon para ser animado. Há alguns filmes que apresentam personages e situações fantásticas ou caricatas. Scooby-Doo é um exemplo perfeito. Temos um filtro para ver que filmes poderiam ser do Cartoon Network. Os índices ficaram bem altos e nossos telespectadores os aceitaram muito bem. Acho que eles entendem perfeitamente esse conceito.

TL: O canal pretende aumentar a quantidade de filmes que exibe?

Koch: Continuaremos exibindo filmes em live action. Temos uma grande lista de aquisições tanto para o Cartoon Network como para o Boomerang e vamos continuar as exibindo como for apropriado, enquanto sentirmos que são caricatas. Há alguns filmes infantis muito bons, mas não podemos exibí-las no Cartoon Network porque não têm esses elementos que mencionei. Por isso as filtramos, mas na verdade elas fazem muito sucesso.

TL: Que tipo de Sintonia há entre a programação do Cartoon Network e Boomerang?

Koch: Temos muitos programas que só estão no Cartoon Network, como Ben 10, Du, Dudu e Edu, e KND: A Turma do Bairro; e temos vários novos programas apenas para o Boomerang. Um deles é Regate vôo 29, que uma grande série de drama e ação, uma espécie de Lost para crianças, que estreamos este ano. No Boomerang também temos tido muito sucesso com Chiquititas e Rincón de Luz, que são telenovelas argentinas.

E quanto aos filmes que temos licença, alguns vão diretamente para o Boomerang e não podemos exibir no Cartoon Network, como as das gêmeas Olsen, por exemplo. Mas há alguns filmes que podem aparecer nos dois canais como Scooby-Doo na versão live action e Stuar Little, porque são apropriadas para os dois. Compartilham programação até certo ponto, mas alguns programas são claramente apenas para o Boomerang e outros completamente para o Cartoon Network.

TL: O Disney Channel têm se mantido no topo dos índices de audiência por mais de um ano e meio. Como enfrentam essa concorrência?

Koch: A Disney é um bom canal e um concorrente muito forte. Têm tido muito sucesso, especialmente em alguns mercados, mas o Cartoon Network no Brasil se mantém como o número um. Nossa estratégia para regressar é criar uma programação excelente para o Cartoon Network, programá-la e promovê-la agressivamente, e conectá-la como nossos sites eletrônicos e eventos ao vivo. E assim continuar impulsionando o Boomerang, que aumentou nossa audiência entre as meninas dramaticamente, para competir de maneira mais eficiente por algumas dessas audiências femininas como as da a Disney.

TL: As pessoas associam o Boomerang e o Cartoon Network como irmãos?

Koch: Acho que isso depende pra quem você pergunta e quanto tempo levam para afiliar cada canal. Acho que no passado essa associação era maior e viam os canais como uma família. Mas desde que nós ampliamos nossa estratégia de programação com novas séries e diferentes tipos de programas para o Boomerang, a associação com o Cartoon Network não é tão forte. Nossa intenção com o Boomerang é a de que seja aproveitado e apreciado pelos seus próprios méritos, como um canal independente.

TL: O que o Boomerang oferece aos anunciantes agora que é um canal diferente?

Koch: Nós temos uma grande e forte relação com nossos anunciantes. Como grupo, trabalhamos em conjunto com as agências publicitárias e a comunidade de clientes para construir boas promoções e grandes oportunidades para eles. Realizamos uma variedade de atividades, desde simples comerciais, promos publicitários, e anúncios eletrônicos, até processos bem complexos que criamos para nossos anunciantes. Nós fazemos comerciais e promoções a medida: criamos sites eletrônicos para múltiplas plataformas, tanto do ponto de vista do telespectador, como do de promoções. Nosso site, por exemplo, não só é de melhor qualidade para as crianças, como também é o mais visitado, para uma empresa de mídia na América Latina. Os jogos são exepcionalmente populares no portal, que os faz muito importantes. Além disso, com nossos sócios de distribuição estamos considerando mais atividades digitais, como vídeo on demand, que está começando a crescer em alguns mercados. Nossa área móvel está crescendo rapidamente. Recentemente relançamos o sistema de Votatoon e juntamos a opção de votar por mensagens de texto de ceulares. Cada semana criamos uma competição entre os programas que as crianças querem ver aos sãbados e podem votar através da página na internet e pelos seus celulares. Temos visto uma incrementação muito forte na participação dos votos para essa franquia.

TL: Que porcentagem de produções originais seria ideal para o Cartoon Network?

Koch: Não temos uma meta específica, mas sim, nós nos focamos na indústria, vemos o que as empresas de maior sucesso são as que criam conteúdo mais atrativo e que as pessoas querem ver. Mas além disso, no mundo digital, é essencial ser donos de conteúdo e ter a flexibilidade e habilidade de distribuí-lo, em todas as plataformas onde os fãs podem querer experimentá-lo. Isso é o que definirá o sucesso de uma empresa.

Entrevista originalmente publicada na revista TV Latina. Edição de setembro de 2007.


Nota: Não se pode negar que o CN é mesmo líder de audiência no Brasil e continua em primeiro lugar no ibope. Mas o canal não vai bem fora daqui, e realmente tem perdido pra Disney. A entrevista em si mostra apenas os planos do canal e do que ele pretende daqui pra frente, é claro que nem tudo é revelado.

Outro ponto interessante foi a menção feita sobre o canal do Mickey, mostra que o Cartoon realmente perdeu público na região (não no Brasil), e que está disposto a recuperá-lo. Em momento algum foi mencionada a aquisição de animes, ou do Toonami, só mesmo a compra de filmes e mais filmes para o canal.

Algo que também chama a atenção é o fato de querer investir em video on demand, com isso será que um dia teríamos não só programas do canal nesse sistema como uma possível vinda do Toonami Jetstream (joint venture entre o canal e Viz Media), que exibe animes num canal exclusivo dentro do site do Cartoon americano. Tudo é possível.

4 Comentários »

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  1. Ele foi bem vago.
    Falou só o que devia falar.

    Mas em alguns pontos foi bem interessante, se analisarmos bem, pode-se notar algo da atual situação do Cartoon.

  2. Então, ele basicamente revelou estar completamente concentrado em atrair um público infantil para concorrer com a Disney.

    Ou seja, talvez isto explique o porquê do Adult Swim não passar mais cedo ou de animes adultos (Samurai Champloo, Gungrave, Ikkitousen etc ) não estarem na grade do canal…¬¬

  3. Engraçado, nem falaram nada sobre a decadência do Cartoon…

  4. e coisa porque o classico legal fosse ue.. mais o tom e jerry,pernalonga e patolino,a pantera cor de rosa


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